A Primavera de Praga

A cidade de Praga, capital da atual República Tcheca

Já havia duas décadas que os comunismo estava presente na então Tchecoslováquia – ultima a se juntar à Cortina de Ferro – e o país já estava recebendo os efeitos da burocratização e do excesso de autoridade decorrentes do processo de Stalinização. Em janeiro de 1968, Alexander Dubcek, da ala reformista, assume a Secretária Geral do Partido Comunista tcheco e, diante do cenário do país, resolveu pôr em prática um audacioso plano de ‘humanização’ do regime, por meio de reformas políticas, econômicas e sociais.

No plano de reformas de Dubcek constavam a liberdade de imprensa, o fim do monopólio político do Partido Comunista, a livre organização partidária, a tolêrancia religiosa, entre outras medidas que apontavam para um radical processo de democratização da Tchecoslováquia.

Alexander Dubcek

Ao mesmo tempo, Dubcek também ensaiava uma aproximação com a Alemanha Ocidental. O auge da crise com o restante do bloco socialista aconteceu quando Dubcek se recusou a participar da reunião do Pacto de Varsóvia, aliança militar que integrava os países do Leste Europeu.

O movimento reformista encabeçado por Dubcek contou com o apoio de intelectuais do Partido Comunista tcheco e da população do país. Em junho, um manifesto de duas mil assinaturas foi publicado na imprensa local apoiando as reformas. Alguns países do bloco socialista, como a Iugoslávia, interessados em afastar-se da influência da URSS, também apoiaram as iniciativas de Dubcek.

No geral, contudo, a posição do bloco socialista em relação à Tchecoslováquia passou da crítica à ameaça. O posicionamento de tropas do Pacto de Varsóvia na fronteiria tcheca foi um sinal claro de que a URSS não toleraria as reformas de Dubcek.

O objetivo de Dubcek não era acabar com o comunismo na Tchecoslováquia, mas reformá-lo, afastando o país da influência soviética. O plano de reformas, entretanto, gerou grande preocupação no bloco socialista em geral e na URSS em particular, diante da ameaça que o exemplo tcheco passou a representar para o incentivo a reformas em outros países do bloco – e para o fim da hegemonia da URSS na região.

Em 20 de agosto de 1968, tropas do Pacto de Varsóvia invadiram a cidade de Praga, capital da Tchecoslováquia, prenderam Alexander Dubcek e o levaram para Moscou, junto com outros líderes tchecos.

Os meses seguintes foram marcados pela resistência pacífica da população à ocupação do país. Rádios locais faziam breves transmissões estimulando a resistência. Dias depois da tomada de Praga, deflagrou-se uma greve geral. O mote do movimento expressava a não-colaboração e o pacifismo da resistência: “Não sei, não conheço, não direi, não tenho, não sei fazer, não darei, não posso, não irei, não ensinarei, não farei!”.

A URSS tentou, sem sucesso, organizar um governo colaboracionista, mas a solidariedade às antigas lideranças havia se generalizado. Dubcek retornou a Praga e ainda permaneceu durante algum tempo no cargo. Mas o plano de reformas foi abandonado em troca da retirada das tropas.

Em janeiro de 1969, um jovem imolou-se publicamente na capital tcheca, reiniciando uma onda de manifestações. Mas, àquela altura, a linha-dura do Partido Comunista tinha se recomposto. Os favoráveis à aproximação com a URSS novamente assumiram o controle do partido. A eleição de Gustáv Husák, em abril de 1969, que sucedeu Dubcek, pôs fim ao curto mas significativo movimento conhecido como Primavera de Praga. As reformas viriam apenas duas décadas depois, com a crise do bloco socialista.


►Algumas definições:

Cortina de Ferro: Expressão usada para designar os países europeus sobre domínio ou influência da URSS durante a Guerra Fria. Assim, entre esses países e a Europa Ocidental haveria uma barreira política e imaginária.¹

Stalinismo (Stalinização): Período em que o poder político soviético foi exercido e influenciado por Josef Stalin. A stalinização seria justamente o aumento gradativo da influência do modelo stalinista.²

Imolação: Ato de pôr fogo em si mesmo, frequentemente (e nesse caso) por fins de protesto.

(T)checoslováquia: País que surgiu ao fim da Segunda Guerra Mundial pelo desmembramento do Império Austro-Húngaro, e que foi área de influência soviética. Pouco após o fim da Guerra Fria, o país se dividiu nas atuais Eslováquia e República Tcheca.³

Texto retirado do portal Uol Educação. Definições baseadas nos respectivos artigos da Wikipédia (1) (2) (3)

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Sugestão de filme

Filme: Adeus, Lênin! (Good Bye, Lenin!)

Diretor: Wolfgang Becker

Ano: 2003

País: Alemanha

Esse filme aborda a história de uma mulher devota do socialismo na antiga Alemanha Oriental, que tem um ataque cardíaco ao ver o filho ser preso durante uma manifestação contra o sistema vigente. Quando ela acorda do coma, após a queda do muro de Berlim (1989), a Alemanha foi reunificada, prevalecendo o sistema capitalista. O médico aconselha ao seu filho (Alex) que ela evite emoções fortes, pois outro ataque tão cedo seria fatal. 

Sentindo-se culpado pelo estado atual de sua mãe, Alex faz de tudo para que ela não presencie as mudanças ocorridas no país, vivendo numa ilusória Alemanha socialista. Para isso, seu filho muda embalagens de produtos industrializados e, até mesmo, inventa documentários televisivos para preencher as brechas do dia a dia do recente capitalismo no país. 

Fontes: http://educador.brasilescola.com/estrategias-ensino/a-guerra-fria-filme-adeus-lenin.htm

http://www.cineplayers.com/filme/adeus-lenin/44

Imagem: http://filmes.film-cine.com/adeus_lenin_-m285

Invenções do período da Guerra Fria

1. Internet

Durante a Guerra Fria, os Estados Unidos buscavam desenvolver uma rede de comunicação descentralizada, ou seja, que permitisse dividir as informações em vários pedaços. Assim, caso um espião da URSS tivesse acesso a informações de uma unidade militar dos EUA, conseguiria apenas um trecho de todo o plano. Desta forma, a ARPA, agência militar desenvolvida para a criação desse projeto, financiou estudos e pesquisas acadêmicas que pudessem levar à criação da ARPANET. 

No início, o acesso a essa rede estava restrito para usos militares, sendo, mais tarde, liberado também para o uso acadêmico. 

2. Forno de microondas

Durante a Guerra Fria, um norte-americano que trabalhava na fornecedora militar Raytheon, Percy Spencer, inspecionava válvulas mecânicas usadas em radares e que eram capazes de gerar ondas eletromagnéticas, chamadas magnétrons.

Depois de algum tempo perto desses equipamentos, Spencer percebeu que uma barra de chocolate que estava em seu bolso havia derretido. Ele logo deduziu que isso havia ocorrido devido ao calor gerado pelos magnétrons. Assim, Spencer resolveu criar um aparelho que aquecesse comida por meio desse princípio. A Raytheon comprou a ideia e lançou o primeiro forno de microondas em 1947, batizado como Radarange 1161. Esse microondas pesava 340 quilos e custava em torno de 2 mil dólares.

3. Computador

O primeiro computador eletrônico do mundo, conhecido como ENIAC (Electronic Numerical Integrator and Computer), começou a ser desenvolvido por engenheiros da Universidade da Pensilvânia nos Estados Unidos, mas só ficou pronto em 1946, durante a Guerra Fria. Projetado para o Exército americano, o aparelho servia para auxiliar nos cálculos de artilharia. O ENIAC ajudou, inclusive, no desenvolvimento da bomba de hidrogênio, testada pelos Estados Unidos em 1952.

Este aparelho realizava cerca de 5 mil operações por segundo, pesava 30 toneladas, tinha mais de 2 metros de altura e ocupava uma área de 15 por 9 metros. Ele custava cerca de 400 mil dólares.

4. Laser

A criação do laser só foi possível devido a um conjunto de teorias. Em 1905, Albert Einstein publicou um artigo sobre o chamado efeito fotoelétrico, criando, assim, o conceito do fóton, ou seja, partícula da luz. No entanto, as informações ficaram esquecidas durante a Segunda Guerra Mundial.

Em 1953, cientistas americanos deram o primeiro passo com a criação do maser (Microwave Amplification by Stimulated Emission of Radiation), um dispositivo similar ao laser, que produzia microondas em vez de luz visível, mas não em forma contínua. Em meio à guerra tecnológica travada entre norte-americanos e soviéticos durante a Guerra Fria, o estudo da luz foi uma obsessão de ambas as partes, fazendo os soviéticos contra-atacarem com a criação de algo semelhante, mas que permitia a emissão de ondas de forma contínua.

Em 1960, um físico estadunidense chamado Theodore H. Maiman montou o primeiro laser (cuja sigla em inglês significa Light Amplification by Stimulated Emission of Radiation, ou seja, Amplificação da Luz por Emissão Estimulada de Radiação).

Apesar de não ter sido o criador do laser, Albert Einstein leva o crédito por ter sido o cientista que descobriu o efeito físico existente por detrás do funcionamento do laser, a emissão estimulada.

Atualmente, o laser é aplicado para diversos fins, como na indústria, na soldagem de carros e na medicina (em cirurgias ópticas e de remoção de pedra nos rins).

Fontes: http://www.tecmundo.com.br/tecnologia-militar/34671-8-tecnologias-inventadas-para-a-guerra-que-fazem-parte-do-nosso-cotidiano.htm#

http://mundoestranho.abril.com.br/materia/que-invencoes-de-guerra-a-gente-usa-hoje-em-casa

http://www.xonei.com/10-invencoes-que-nasceram-durante-periodos-de-guerra/

http://www.oficinadanet.com.br/artigo/ciencia/como_funciona_laser

http://www.mundoeducacao.com/fisica/o-raio-laser.htm

Imagens: http://gwconect.com.br/novo/?page_id=979

http://www.diarioliberdade.org/component/content/archive.html?year=2012&month=2

http://rotinadigital.net/como-surgiu-o-forno-micro-ondas/

http://planetech.uol.com.br/2009/10/30/laser-para-projetores-vai-economizar-energia/