10 músicas contra a Ditadura Militar no Brasil

Numa época em que a liberdade de expressão é limitada, nada mais criativo que expressar desejos e anseios através da música. A Ditadura Militar que o Brasil viveu, entre os anos de 1964 e 1985, fez com que músicas se tornassem hinos e verdadeiros gritos de liberdade aos cidadãos oprimidos e sem possibilidade de se expressar como desejavam. Através de letras complexas e cheias de metáforas, elas traduziam tudo o que sentiam. Além disso, os festivais de MPB, promovidos pela TV Excelsior e, posteriormente, pela TV Tupi, auxiliaram na divulgação das canções, tornando-as ainda mais populares. 

Veja abaixo algumas músicas que marcaram essa época da história brasileira.

1. Caminhando (Pra não dizer que não falei das flores) – Geraldo Vandré

Pra não dizer que não falei das flores, composta em 1968, pelo paraibano Geraldo Vandré, fez com que os militares censurassem a canção por fazer clara referência contrária ao governo ditatorial. Através dela, Vandré chamava o público à revolta contra a ditadura e ainda fazia fortes provocações ao exército.

O refrão “Vem, vamos embora/ Que esperar não é saber/ Quem sabe faz a hora/ Não espera acontecer” foi considerado um verdadeiro chamado às ruas contra os ditadores. Além do refrão, a estrofe “Há soldados armados/Amados ou não/Quase todos perdidos/ De armas na mão/ Nos quartéis lhes ensinam/ Uma antiga lição/ De morrer pela pátria/ E viver sem razão” é uma das mais explícitas das produções musicais do momento. Não faz rodeios. Vai direto à crítica aos militares.

Essa música foi a sensação do Festival de Música Brasileira da TV Record. O sucesso da canção é atribuído aos mais diversos fatores: a rima de fácil assimilação; a melodia em forma de hino, o que acaba por se tornar mais uma provocação ao regime; além de retratar os desejos e anseios da geração da época. 

2. Apesar de você – Chico Buarque

Apesar de você foi lançada em 1970, durante o governo do general Médici. A letra faz uma clara referência a este ditador. Para driblar a censura, Chico Buarque afirmou que a música contava a história de uma briga de casal, cuja esposa era muito autoritária. A desculpa funcionou e o disco foi gravado, mas os oficiais do exército logo identificaram a crítica implícita à falta de liberdade e proibiram a canção de tocar nas rádios.

3. O bêbado e a equilibrista – Aldir Blanc e João Bosco

Em 1977, João Bosco fez a melodia, inspirado pela morte de Charlie Chaplin, e entregou para Aldir Blanc colocar a letra. O bêbado e a equilibrista foi gravada por Elis Regina em 1979. Essa música acabou se tornando um marco da luta contra a ditadura ao criticá-la de uma forma extremamente poética.

A poesia, aliás, começa no título. O bêbado seria a representação de todos os artistas que lutavam contra o regime. E a equilibrista é a esperança de que dias com liberdade virão. Além disso, outras referências são feitas. O verso “E nuvens/ Lá no mata-borrão do céu”, por exemplo, refere-se aos militares (nuvens, ou seja, inalcançáveis), que ficavam no DOI-CODI (mata-borrão, para corrigir erros) e que, assim como os militares, ficavam inalcançáveis (céu). 

Essa canção representava o pedido da população pela anistia ampla, geral e irrestrita, um movimento consolidado no final da década de 70. A letra fala sobre o choro de Marias e Clarisses, em alusão às esposas do operário Manuel Fiel Filho e do jornalista Vladimir Herzog, assassinados sob tortura pelo exército.

4. Eu quero é botar meu bloco na rua – Sérgio Sampaio

Durante a Ditadura, os militares andavam com tropas pelas ruas para evitar manifestações populares. Sérgio Sampaio, então, no ano de 1972, lança Eu quero é botar meu bloco na rua, onde o compositor impõe seu desejo de que as tropas sejam substituídas pelos blocos (povo). Além disso, refere-se aos militares como Durango Kid, um durão cowboy dos faroestes americanos.

5. Cálice – Chico Buarque e Gilberto Gil

A música Cálice, composta em 1973, só pôde ser lançada cinco anos depois, devido à forte censura. Ela faz alusão a oração de Jesus Cristo dirigida a Deus no Jardim do Getsêmane: “Pai, afasta de mim este cálice”. Para quem lutava pela democracia, o silêncio também era uma forma de morte. Para os ditadores, a morte era uma forma de silêncio. Daí nasceu a ideia de Chico Buarque: explorar a sonoridade e o duplo sentido de “cálice” “cale-se”, fazendo um inteligentíssimo jogo de palavras entre elas para criticar o regime instaurado.

Além disso, essa música faz claras referências ao regime da época em versos fortíssimos como “quero cheirar fumaça de óleo diesel”, onde faz alusão à prática de tortura onde o preso era submetido ao processo de inalar fumaça de óleo diesel.

6. Alegria, alegria – Caetano Veloso

A música Alegria, alegria foi lançada em 1967, por Caetano Veloso. Valorizava a ironia, a rebeldia e o anarquismo a partir de fragmentos do dia a dia. Em cada verso, revelações da opressão ao cidadão em todas as esferas sociais. A letra critica o abuso do poder e da violência, as más condições do contexto educacional e cultural estabelecido pelos militares, aos quais interessava formar brasileiros alienados.

7. Acorda amor – Chico Buarque

A música Acorda amor, gravada em 1974, conseguiu passar pelo primeiro crivo da censura. Essa é uma das músicas mais explícitas de Chico Buarque. Em um dos trechos (“era a dura/numa muito escura viatura”) faz quase uma referência direta à ditadura militar. De maneira muito clara, ela narra a história de alguém que é levado de casa pelos militares por ser um opositor ao regime.

O que é interessante de ser observado é que o eu-lírico até se confunde ao tentar pedir ajuda. Ele pede, desesperadamente, para chamar alguém. Mas quem? A polícia? Por isso, ao final, ele pede ajuda até mesmo a algum ladrão.

8. Que as crianças cantem livres – Taiguara

 

Que as crianças cantem livres é uma composição de Taiguara, lançada em 1973. Taiguara foi um dos músicos mais censurados e perseguidos durante a Ditadura Militar. Teve 68 canções censuradas e foi obrigado a se exilar, ao ser ameaçado, inúmeras vezes, de tortura.

Nessa música, Taiguara fala sobre os problemas graves do período, mas com uma esperança ao final de seus versos. Esperança de tempos livres, onde as crianças poderão cantar livremente.

9. Vence na vida quem diz sim – Chico Buarque

Vetada na íntegra pelos censores, essa música fala sobre a necessidade de se dizer “sim” à tudo no período. Se te torturassem, por exemplo, deveria responder “sim”. Desse modo, provavelmente os militares se contentariam e a tortura cessaria.

10. É proibido proibir – Caetano Veloso

É proibido proibir é uma música de Caetano Veloso, lançada em 1968. Essa canção era uma manifestação das grandes mudanças culturais que estavam ocorrendo no mundo na década de 1960. Na apresentação realizada no Teatro da Universidade Católica de São Paulo, a música de Caetano foi recebida com furiosa vaia pelo público que lotava o auditório. Indignado, Caetano fez um longo e inflamado discurso que quase não se podia ouvir, tamanho era o barulho dentro do teatro.

Fontes: http://literatortura.com/2014/03/15-melhores-musicas-contra-ditadura-militar-brasileira/

http://blogunasp.com.br/vestibular/9-musicas-para-entender-ditadura-militar/

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Sugestão de Filme e de Livros

Dos presidentes que empossaram após Getúlio Vargas, os que nos chamaram mais atenção foram Jango e JK. Então, nada mais justo do que selecionar obras que falam sobre eles. Para Jango selecionamos um filme, de lançamento recente, enquanto para JK selecionamos dois livros de autores diferentes para retratar diversos pontos de vista sobre seu mandato. Aproveite!

FILME: Dossiê Jango

Gênero: Documentário

Diretor: Paulo Fontenelle

Ano: 2013

“João Goulart havia sido eleito democraticamente presidente do Brasil, mas foi expulso do cargo após o golpe de Estado de 1 de abril de 1964. Depois disso, Jango viveu exilado na Argentina, onde morreu em 1976, de causas naturais”

Será?

Vejamos. As circunstâncias de sua morte no país vizinho não foram bem explicadas até hoje. Seu corpo foi enterrado imediatamente após a sua morte, aumentando as suspeitas de assassinato premeditado. Este documentário traz o assunto de volta à tona e tenta esclarecer publicamente alguns fatos obscuros da história do Brasil.

(Baseado na resenha de AdoroCinema.com)


 

LIVRO I: Juscelino Kubitschek: o Presidente Bossa-Nova

Gênero: Biografia

Escritor: Marleine Cohen

Ano: 2005

O livro reconstitui a vida de Juscelino Kubitschek de Oliveira (1902-1976), primeiro presidente brasileiro eleito democraticamente que terminou o seu mandato na história da República.

E, mais do que isso, a obra traça o panorama político, social e cultural de uma época em que o Brasil vivia uma onda de entusiasmo com seu futuro.

(Retirada de livraria.folha.com.br)


 

LIVRO II: JK – O Artista do Impossível

Gênero: Biografia

Escritor: Claudio Bojunga

Ano: 2010

Este livro conta a história de um homem, de uma época e de um país. Um homem que ousou governar com imaginação, uma época em que os brasileiros deram as costas à derrota – e viveram o sonho intenso de serem modernos, cosmopolitas, viáveis. Este livro é uma reparação ao mais republicano dos presidentes e uma tentativa de entender por que um regime dinâmico e livre foi o verdadeiro “regime de exceção” na história do Brasil do século XX.

(Retirada de livrariasaraiva.com.br)

Quebrando mitos sobre a Ditadura no Brasil

Há vários mitos sobre a ditadura no Brasil. Reproduzimos aqui a lista com 10 desses mitos feita pela revista Superinteressante, que além de nos mostrar como o senso-comum pode ser falho também nos dá mais motivos para não querer que a ditadura “salvadora” volte. 

Tanque na frente do Congresso Nacional.

1. “A ditadura no Brasil foi branda”: Há quem diga que a ditadura brasileira teria sido “mais branda” e “menos violenta” que outros regimes latino-americanos. Países como Argentina e Chile, por exemplo, teriam sofrido muito mais em “mãos militares”. De fato, a ditadura nesses países também foi sanguinária. Mas repare bem: também foi. Afinal, direitos fundamentais do ser humano eram constantemente violados por aqui: torturas e assassinatos de presos políticos – e até mesmo de crianças – eram comuns nos “porões do regime”. Esses crimes contra a humanidade, hoje, já são admitidos até mesmo pelos militares. Para quem, mesmo assim, acha que foi “suave” a repressão, um estudo do governo federal analisou relatórios e propõe triplicar a lista oficial de mortos e desaparecidos políticos vítimas da ditadura militar. Ou seja: de 357 mortos e desaparecidos com relação direta ou indireta com a repressão da ditadura (segundo a lista da Secretaria de Direitos Humanos), o número pode saltar para 957 mortos.

2. “Tínhamos educação de qualidade”: Naquele época, o “livre-pensar” não era, digamos, uma prioridade para o regime. Havia um intenso controle sobre informações e ideologia – o que engessava o currículo – e as disciplinas de filosofia e sociologia foram substituídas por Educação, Moral e Cívica e por OSPB (Organização Social e Política Brasileira, uma matéria obrigatória em todas as escolas do país, destinada à transmissão da ideologia do regime autoritário). Segundo o estudo “Mapa do Analfabetismo no Brasil”, do Inep (Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais), do Ministério da Educação, o Mobral (Movimento Brasileiro para Alfabetização) fracassou. O Mobral era uma resposta do regime militar ao método do educador Paulo Freire – considerado subversivo -, empregado, já naquela época, com sucesso no mundo todo. Mas os problemas não paravam por aí: com o baixo índice de investimento na escola pública, as unidades privadas prosperaram. E faturaram também. Esse “sucateamento” também chegou às universidades: foram afastadas dos centros urbanos – para evitar “baderna” – e sofreram a imposição do criticado sistema de crédito.

 3. “A saúde não era o caos de hoje”: Se hoje todo mundo reclama da “qualidade do atendimento” e das “filas intermináveis” nos hospitais e postos de saúde, imagina naquela época. Para começar, o acesso à saúde era restrito: o Inamps (Instituto Nacional de Assistência Médica da Previdência Social) era responsável pelo atendimento público, mas era exclusivo aos trabalhadores formais. Ou seja, só era atendido quem tinha carteira de trabalho assinada. O resultado era esperado: cresceu a prestação de serviço pago, com hospitais e clínicas privadas. Essas instituições abrangeram, em 1976, a quase 98% das internações. Planos de saúde ainda não existiam e o saneamento básico chegava a poucas localidades, o que aumentava o número de doenças. Além disso, o modelo hospitalar adotado relegava a assistência primária a segundo plano, ou seja, para os militares era melhor remediar que prevenir. O tão criticado SUS (Sistema Único de Saúde) – que hoje atende cerca de 80% da população – só foi criado em 1988, três anos após o fim da ditadura.

4. “Não havia corrupção no Brasil”: Uma características básica da democracia é a participação da sociedade civil organizada no controle dos gastos, denunciando a corrupção. E em um regime de exceção, bem, as coisas não funcionavam exatamente assim. Não havia conselhos fiscalizatórios e, depois da dissolução do Congresso Nacional, as contas públicas não eram sequer analisadas, quanto mais discutidas. Além disso, os militares investiam bilhões e bilhões em obras faraônicas – como Itaipu, Transamazônica e Ferrovia do Aço -, sem nenhum controle de gastos. Esse clima tenso de “gastos estratosféricos” até levou o ministro Armando Falcão, pilar da ditadura, a declarar que “o problema mais grave no Brasil não é a subversão. É a corrupção, muito mais difícil de caracterizar, punir e erradicar”.Muito pouco se falava em corrupção. Mas não significa que ela não estava lá.

5. “Os militares evitaram a ditadura comunista”: É fato: o governo do presidente João Goulart era constitucional. Seguia todo à risca o protocolo. Ele chegou ao poder depois da renúncia de Jânio Quadros, de quem era vice. Em 1955, foi eleito vice-presidente com 500 mil votos a mais que Juscelino Kubitschek. Porém, quando Jango assumiu a Presidência, a imprensa bateu na tecla de que em seu governo havia um “caos administrativo” e que havia a necessidade de reestabelecer a “ordem e o progresso” através de uma intervenção militar. Foi criada, então, a ideia da iminência de um “golpe comunista” e de um alinhamento à URSS, o que virou motivo para a intervenção. Goulart não era o que se poderia chamar de marxista. Antes de ser presidente, ele fora ministro de Getúlio Vargas e Juscelino Kubitschek e estava mais próximo do populismo. Em entrevista inédita recentemente divulgada, o presidente deposto afirmou que havia uma confusão entre “justiça social” – o que ele pretendia com as Reformas de Base – e comunismo, ideia que ele não compartilhava: “justiça social não é algo marxista ou comunista”, disse. Há também outro fator: pesquisas feitas pelo Ibope às vésperas do golpe, em 31 de março, mostram que Jango tinha um amplo apoio popular, chegando a 70% de aprovação na cidade de São Paulo. Esta pesquisa, claro, não foi revelada à época, mas foi catalogada pela Universidade Estadual de Campinas (UNICAMP).

6. “O Brasil cresceu economicamente”: Um grande legado econômico do regime militar é indiscutível: o aumento da dívida externa, que permaneceu impagável por toda a primeira década de redemocratização. Em 1984, o Brasil devia a governos e bancos estrangeiros o equivalente a 53,8% de seu Produto Interno Bruto (PIB). Sim, mais da metade do que arrecadava. Se transpuséssemos essa dívida para os dias de hoje, seria como se o Brasil devesse US$ 1,2 trilhão, ou seja, o quádruplo da atual dívida externa. Além disso, o suposto “milagre econômico brasileiro” – quando o Brasil cresceu acima de 10% ao ano – mostrou que o bolo crescia sim, mas poucos podiam comê-lo. A distribuição de renda se polarizou: os 10% dos mais ricos que tinham 38% da renda em 1960 e chegaram a 51% da renda em 1980. Já os mais pobres, que tinham 17% da renda nacional em 1960, decaíram para 12% duas décadas depois. Quer dizer, quem era rico ficou ainda mais rico e o pobre, mais pobre que antes. Outra coisa que piorava ainda mais a situação do população de baixa renda: em pleno milagre, o salário mínimo representava a metade do poder de compra que tinha em 1960.

7. “As igrejas apoiaram”: Sim, as igrejas tiveram um papel destacado no apoio ao golpe. Porém, em todo o Brasil, houve religiosos que criaram grupos de resistência, deixaram de aceitar imposições do governo, denunciaram torturas, foram torturados e mortos e até ajudaram a retirar pessoas perseguidas pela ditadura no país. Inclusive, ainda durante o regime militar, uma das maiores ações em defesa dos direitos humanos – o relatório “Brasil: Nunca Mais” – originou-se de uma ação ecumênica, desenvolvida por dom Paulo Evaristo Arns, pelo rabino Henry Sobel e pelo pastor presbiteriano Jaime Wright. Realizado clandestinamente entre 1979 e 1985, gerou uma importante documentação sobre nossa história, revelando a extensão da repressão política no Brasil.

8. “Durante a ditadura, só morreram vagabundos e terroristas”: Esse é um argumento bem fácil de encontrar em caixas de comentário da internet. Dizem que quem não pegou em armas nunca foi preso, torturado ou morto pelas mãos de militares. Provavelmente, quem acredita nisso não coloca na conta o genocídio de povos indígenas na Amazônia durante a construção da Transamazônica. Segundo a estimativa apresentada na Comissão da Verdade, 8 mil índios morreram entre 1971 e 1985. Isso sem contar as outras vítimas da ditadura que não faziam parte da guerrilha. É o caso de Rubens Paiva. O ex-deputado, cassado depois do golpe, em 1964, foi torturado porque os militares suspeitavam que, através dele, conseguiriam chegar a Carlos Lamarca, um dos líderes da oposição armada. Não deu certo: Rubens Paiva morreu durante a tortura. A verdade sobre a morte do político só veio à tona em 2014. Antes disso, uma outra versão (bem mal contada) dizia que ele tinha “desaparecido”. Para entrar na mira dos militares durante a ditadura, lutar pela democracia – mesmo sem armas na mão – já era motivo o suficiente.

9. “Todos os militares apoiaram o regime”: Ser militar na época não era sinônimo de golpista, claro. Havia uma corrente de militares que apoiava Goulart e via nas reformas de base um importante caminho para o Brasil. Houve focos de resistência em São Paulo, no Rio de Janeiro e também no Rio Grande do Sul, apesar do contragolpe nunca ter acontecido. Durante o regime, muitos militares sofreram e estima-se que cerca 7,5 mil membros das Forças Armadas e bombeiros foram perseguidos, presos, torturados ou expulsos das corporações por se oporem à ditadura. No auge do endurecimento do regime, os serviços secretos buscavam informações sobre focos da resistência militar, assim como a influência do comunismo nos sindicatos, no Exército, na Força Pública e na Guarda Civil.

10. “Naquele tempo, havia civismo e não tinha tanta baderna como greves e passeatas”: Quando os militares assumiram o poder, uma das primeiras medidas que tomaram foi assumir a possibilidade de suspensão dos diretos políticos de qualquer cidadão. Com isso, as representações sindicais foram duramente afetadas e passaram a ser controladas com pulso forte pelo Ministério do Trabalho, o que gerou o enfraquecimento dos sindicatos, especialmente na primeira metade do período de repressão. Afinal, para que as leis trabalhistas vigorem, é necessário que se judicializem e que os patrões as respeitem. Com essa supressão, os sindicatos passaram a ser compostos mais por agentes do governo que trabalhadores. E os direitos dos trabalhadores foram reduzidos à vontade dos patrões. Passeatas eram duramente repreendidas. Quando o estudante Edson Luísa de Lima Souto foi morto em uma ação policial no Rio de Janeiro, multidões foram às ruas no que ficou conhecido com o a Passeata dos Cem Mil. Nos meses seguintes, a repressão ao movimento estudantil só aumentou. As ações militares contra manifestações do tipo culminaram no AI-5.

 

Fonte: http://super.abril.com.br/blogs/historia-sem-fim/10-mitos-sobre-a-ditadura-no-brasil/

Imagem: http://super.abril.com.br/blogs/historia-sem-fim/files/2014/04/tanque-brasilia.jpg

Sugestão de leitura

Livro: Operação Condor – O Sequestro dos Uruguaios

Autor: Luiz Cláudio Cunha

O sequestro dos uruguaios Lílian Celiberti e Universindo Díaz em 1978, numa ação dos órgãos de repressão do Uruguai e do Brasil, expôs as vísceras da sinistra Operação Condor à opinião pública brasileira e internacional. Fundada em 1975 no Chile de Pinochet, a Condor era uma vasta ação terrorista de Estado que atropelava fronteiras nacionais e afrontava direitos humanos, forçando o desaparecimento de quem ousasse contestar os regimes de força dos generais. Dissidentes políticos eram caçados por comandos clandestinos militares e policiais.

Porto Alegre viveu este inferno numa tarde cinzenta de primavera de 1978. Alertados por um telefonema anônimo, o repórter Luiz Cláudio Cunha e o fotógrafo J.B. Scalco foram conduzidos até um apartamento do bairro Menino Deus, onde surpreenderam militares uruguaios e policiais brasileiros na fase final do sequestro de Lílian e Universindo. Pela primeira vez no continente, jornalistas testemunhavam a Condor em pleno voo.

A denúncia dos repórteres frustrou o sequestro. A pressão da imprensa e a repercussão na opinião pública constrangeram Montevidéu e Brasília. Os sequestrados de Porto Alegre, contrariando a regra de sangue da Condor, escaparam vivos para contar a história de uma multinacional do terror que não costumava deixar sobreviventes.

Anos depois, o repórter Luiz Cláudio Cunha, outro sobrevivente daquela tarde cinzenta de novembro, conta detalhes inéditos desta arriscada e impressionante aventura jornalística. 

Fonte: http://www.lpm.com.br/site/default.asp?Template=../livros/layout_produto.asp&CategoriaID=917163&ID=735171

Imagem: http://rollingstone.uol.com.br/guia/livro/operacao-condor-o-sequestro-dos-uruguaios/