A Primavera de Praga

A cidade de Praga, capital da atual República Tcheca

Já havia duas décadas que os comunismo estava presente na então Tchecoslováquia – ultima a se juntar à Cortina de Ferro – e o país já estava recebendo os efeitos da burocratização e do excesso de autoridade decorrentes do processo de Stalinização. Em janeiro de 1968, Alexander Dubcek, da ala reformista, assume a Secretária Geral do Partido Comunista tcheco e, diante do cenário do país, resolveu pôr em prática um audacioso plano de ‘humanização’ do regime, por meio de reformas políticas, econômicas e sociais.

No plano de reformas de Dubcek constavam a liberdade de imprensa, o fim do monopólio político do Partido Comunista, a livre organização partidária, a tolêrancia religiosa, entre outras medidas que apontavam para um radical processo de democratização da Tchecoslováquia.

Alexander Dubcek

Ao mesmo tempo, Dubcek também ensaiava uma aproximação com a Alemanha Ocidental. O auge da crise com o restante do bloco socialista aconteceu quando Dubcek se recusou a participar da reunião do Pacto de Varsóvia, aliança militar que integrava os países do Leste Europeu.

O movimento reformista encabeçado por Dubcek contou com o apoio de intelectuais do Partido Comunista tcheco e da população do país. Em junho, um manifesto de duas mil assinaturas foi publicado na imprensa local apoiando as reformas. Alguns países do bloco socialista, como a Iugoslávia, interessados em afastar-se da influência da URSS, também apoiaram as iniciativas de Dubcek.

No geral, contudo, a posição do bloco socialista em relação à Tchecoslováquia passou da crítica à ameaça. O posicionamento de tropas do Pacto de Varsóvia na fronteiria tcheca foi um sinal claro de que a URSS não toleraria as reformas de Dubcek.

O objetivo de Dubcek não era acabar com o comunismo na Tchecoslováquia, mas reformá-lo, afastando o país da influência soviética. O plano de reformas, entretanto, gerou grande preocupação no bloco socialista em geral e na URSS em particular, diante da ameaça que o exemplo tcheco passou a representar para o incentivo a reformas em outros países do bloco – e para o fim da hegemonia da URSS na região.

Em 20 de agosto de 1968, tropas do Pacto de Varsóvia invadiram a cidade de Praga, capital da Tchecoslováquia, prenderam Alexander Dubcek e o levaram para Moscou, junto com outros líderes tchecos.

Os meses seguintes foram marcados pela resistência pacífica da população à ocupação do país. Rádios locais faziam breves transmissões estimulando a resistência. Dias depois da tomada de Praga, deflagrou-se uma greve geral. O mote do movimento expressava a não-colaboração e o pacifismo da resistência: “Não sei, não conheço, não direi, não tenho, não sei fazer, não darei, não posso, não irei, não ensinarei, não farei!”.

A URSS tentou, sem sucesso, organizar um governo colaboracionista, mas a solidariedade às antigas lideranças havia se generalizado. Dubcek retornou a Praga e ainda permaneceu durante algum tempo no cargo. Mas o plano de reformas foi abandonado em troca da retirada das tropas.

Em janeiro de 1969, um jovem imolou-se publicamente na capital tcheca, reiniciando uma onda de manifestações. Mas, àquela altura, a linha-dura do Partido Comunista tinha se recomposto. Os favoráveis à aproximação com a URSS novamente assumiram o controle do partido. A eleição de Gustáv Husák, em abril de 1969, que sucedeu Dubcek, pôs fim ao curto mas significativo movimento conhecido como Primavera de Praga. As reformas viriam apenas duas décadas depois, com a crise do bloco socialista.


►Algumas definições:

Cortina de Ferro: Expressão usada para designar os países europeus sobre domínio ou influência da URSS durante a Guerra Fria. Assim, entre esses países e a Europa Ocidental haveria uma barreira política e imaginária.¹

Stalinismo (Stalinização): Período em que o poder político soviético foi exercido e influenciado por Josef Stalin. A stalinização seria justamente o aumento gradativo da influência do modelo stalinista.²

Imolação: Ato de pôr fogo em si mesmo, frequentemente (e nesse caso) por fins de protesto.

(T)checoslováquia: País que surgiu ao fim da Segunda Guerra Mundial pelo desmembramento do Império Austro-Húngaro, e que foi área de influência soviética. Pouco após o fim da Guerra Fria, o país se dividiu nas atuais Eslováquia e República Tcheca.³

Texto retirado do portal Uol Educação. Definições baseadas nos respectivos artigos da Wikipédia (1) (2) (3)

O Massacre da Praça da Paz Celestial

A Praça Tian’anmen, ou Praça da Paz Celestial, a terceira maior do mundo

O Massacre da Paz Celestial, como ficou conhecida a repressão realizada pelo governo a uma onda de protestos no país no final da década de 80, é um tabu na China. No ano em que se comemora o 25º aniversário dos acontecimentos, internautas começaram a denunciar a o aumento da censura a determinadas ferramentas na internet como o Google. O Partido Comunista nega a existência do massacre e evita — o máximo que pode — o debate em torno da questão. Estima-se que cerca de cem mil manifestantes entre estudantes, intelectuais e trabalhadores participaram do protesto

O homem-tanque

A clássica imagem de um homem que tenta parar uma fileira de tanques que se dirigia para a praça é considerada uma das mais influentes do século 20. Não se sabe o que teria acontecido com o “homem-tanque”. Alguns relatos dão conta de que ele foi morto pelas tropas governamentais e outros que ele vive no interior do país.

►O que realmente aconteceu?

Vazamentos do WikiLeaks contradiz a versão mais conhecida do massacre

Informes divulgados pelo The Daily Telegraph em 2011 negam a versão corrente de que soldados massacraram os estudantes na Praça Celestial. De acordo com as informações da embaixada dos Estados Unidos em Pequim, divulgadas com exclusividade pelo jornal, os militares abriram fogo contra manifestantes fora do centro da cidade. Outro telegrama ainda diz:

“um diplomata chileno testemunhou os soldados ocupando a Praça da Paz Celestial: embora alguns disparos pudessem ser ouvidos, ele disse que não viu nenhum fogo contra a massa de estudantes, viu apenas alguns deles apanharem”

O The New York Times traz versão semelhante

O chefe de sucursal em Pequim do jornal norte-americano à época, Nicholas Kristof, em artigo intitulado “Atualização da China: Como os linhas-duras venceram”, publicado em 12 de novembro de 1989, fez essa afirmação no final de um texto que critica o governo chinês, pela qual foi duramente criticado:

“baseado em minhas observações nas ruas, nenhuma versão está certa, nem a oficial nem as feitas por estrangeiros. Não houve massacre na Praça da Paz Celestial, embora tenha havido muitas mortes em outras partes”

A imprensa não presenciou os fatos

Apesar de a imprensa internacional estar em Pequim por ocasião da visita do ex-presidente da União Soviética, Mikhail Gorbachev, o governo ordenou que elas encerrassem suas transmissões. A única cadeia televisiva que pôde gravar o interior da praça na noite de 3 a 4 de junho foi a espanhola TVE. A maioria das emissoras estava no Hotel Pequim, de onde não é possível ver a Praça Celestial. Por isso, o diplomata espanhol Eugenio Bregolat sustenta que a imprensa se equivocou na cobertura por não ter presenciado os fatos. A versão de que tanques chineses teriam esmagado estudantes passando por cima e dando marcha à ré para esmagá-los novamente também é contestada pelo diplomata: “Os únicos blindados da história que deram marcha à ré foram tanques italianos em Guadalajara”, disse em entrevista ao El Periódico.com.

Os números são controversos

Não existem cifras oficiais a respeito da quantidade de vítimas provocadas pela ação de 4 de junho. Autoridades, no entanto, mencionaram, logo após os fatos, que “um milhar de soldados e policiais foram mortos, feridos ou sequestrados”, como reportou o jornal El País no dia seguinte. As mães da Praça da Paz Celestial possuem nome e sobrenome de 205 mortos. No entanto, “estimativa” realizada por jornais internacionais e ativistas do país é de que este número possa chegar a 3 mil. A dificuldade de reconhecer as vítimas estaria no fato de que muitos dos estudantes terem vindo do interior.

►Duas décadas depois…

Para lembrar acontecimento, chineses costumam acender velas em memória das vítimas

… Ainda há vitimas

Em maio de 2012, Ya Weilin, pai de um dos jovens mortos em 1989, suicidou-se em protesto contra a falta de respostas das autoridades a respeito dos acontecimentos. Algum tempo antes de se matar, escreveu:

A China, o grande Partido Comunista da China matou meu filho, mas nunca sequer pediu desculpa. Nós somos cidadãos não podemos dizer uma única palavra?

… Ainda há ‘protestos’

Em 4 de junho de 2012, a Bolsa de Xangai registrou uma queda de 64,89 pontos, o que foi apontado como uma lembrança à data do massacre (4/6/89).

… Mais protestos

Em 2013, o Cirque de Solei apresentou a emblemática foto do “homem tanque” em uma tela gigante por cerca de quatro segundos para uma plateia de cerca de 1500 pessoas em Pequim como parte de uma montagem de imagens de protestos durante apresentação de “They Don’t Care About Us”, de Michael Jackson, durante a turnê “Michael Jackson Immortal World Tour”.

… O último manifestante foi libertado

Jiang Yaqun foi posto em liberdade em maio de 2013, aos 73 anos. Ele sofre de Alzheimer e não tem casa ou família para recebê-lo, como disseram as autoridades chinesas. O jornal The Guardian afirmou que Yaqun foi o último manifestante “contrarrevolucionário” a ser libertado. De acordo com a organização China Human Rights Defenders, 906 manifestantes foram presos naquela ocasião.

… As imagens e menções aos protestos na Praça da Paz Celestial seguem sendo proibidas na China

Baseado na matéria do site Opera Mundi

Lutando pelos seus Direitos

O século XX foi marcado por varias conquistas, principalmente pelas mulheres. Elas  que eram simplesmente donas de casa, passaram a querer o direito de sair dessa vida rotineira, que inclui ser submissa aos homens.  As mesmas foram atrás de seus direitos , saindo do papel de apenas donas do lar, cuidando exclusivamente de seus maridos e filhos.

Nos anos 60 , o movimento feminista reivindicava a participação das mulheres no mercado de trabalho e a inclusão na sociedade, querendo também igualdade de salários e a conquista de direitos de cidadania, combatendo o preconceito e os valores tradicionais.

As lutas tiveram resultados e as mulheres tiveram grandes conquistas, entre elas a pílula anticoncepcional, que foi um grande marco para a mudança de comportamento das mulheres , que a partir dai passaram a escolher a hora de ter filhos , podendo trabalhar e estudar, contribuindo para o seu crescimento profissional e pessoal.

As mulheres não pararam por ai, hoje estão no mercado de trabalho e não há um lugar onde elas não atuam. A luta teve grande valor e hoje elas votam, trabalham, divorciam, têm menos filhos e menos responsabilidades no lar.

Give Peace a Chance

Give Peace a Chance é uma canção composta por John Lennon, em 1969. A letra que fala sobre paz , virou um dos hinos da campanha do musico contra a Guerra do Vietnã. Lennon gravou essa musica durante conferências a favor da paz, Bed-in, que eram realizados em uma cama de hotel. Essa é uma das cenas mais marcantes dos protestos realizados por Lennon em favor da Paz Mundial.

O marco inicial desta canção é o pedido de paz de John e Yoko, quando um repórter perguntou o artista estava tentando fazer com este desempenho “relaxado”. Lennon respondeu perfeitamente “todos nós estamos dizendo é dar uma chance à paz espontaneamente”. O musico gostou tanto da frase, que decidiu fazer uma musica sobre aquele contexto.

Em varias gravações o cantor contou diversas vezes a musica, em uma cama. Finalmente, 1 de junho de 1969, alugou um gravador de 8 pistas em uma loja de musica e gravou a canção em uma cama de hotel.

A musica atualmente é um símbolo do protesto, tem sido usada por muitos artistas e pessoas associadas com Lennon e que , posteriormente, interpretadas para protestar ou para levantar fundos para uma tragédia em algum lugar do mundo.

Sugestões de Livros

Nome: Adeus ao trabalho?

Autor: Ricardo Antunes

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O livro de Ricardo Antunes, que é um sucesso de publico, aborda as transformações do modo de produção capitalista e seu reflexo sobre a classe trabalhadora. Foi lançado em 1995, atualmente esta em sua terceira edição

No decorrer do livro o autor entra em um debate mundial acerca da globalidade desigualdade articulada, que coloca em evidencia a centralidade do mundo do trabalho. Ricardo Antunes também busca apontar as diferentes tendências e teses.

Titulo: The Makings of a Counter-Culture

Autor:  Theodore Roszak

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O livro de Theodore Roszak, professor da  Universidade de Stanford nos anos 60, tem como subtítulo Reflexões sobre a Sociedade Tecnocrática e sua Oposição Jovem.A obra foi publicada em 1969.

A obra narrou e deu explicação para a contracultura europeia e norte-americana da década 60, contextualizando detalhadamente o cenário da espoca , dos apóstolos da LSD aos ativistas políticos radicais aos militantes negros.

Coletânea de sugestões

Livro: Honoráveis bandidos

Autor: Palmério Dória

Gênero: Reportagem

Ano: 2009

O livro foi escrito pelo jornalista Palmério Dória, um dos jornalistas mais respeitados do País, nele conta toda a história secreta do surgimento, enriquecimento e tomada do poder regional pela família Sarney, no Maranhão, e o controle quase total, do Senado, pelo patriarca que virou presidente da República por acidente.Narra o mar de lama em que vive a família Sarney e o espírito camaleônico do atual presidente do Senado, que já esteve ao lado dos militares durante a ditadura, depois pulou para o barco dos defensores das diretas se tornando vice de Tancredo Neves até os dias atuais como principal aliado do governo do PT e de Lula.

São 208 páginas de leitura saborosa a partir dos títulos de capítulos, atrevidos e maliciosos, considerado como um livro arrasador muito deles chegaram  às bancas e livrarias da capital maranhense devido ao boicote empreendido pela mídia controlada pela família Sarney.

Filme: Lula, o Filho do Brasil

Diretor: Fabio Barreto

Ano: 2010

1945, sertão de Pernambuco. Menos de um mês após Aristides (Milhem Cortaz) partir para São Paulo com uma mulher bem mais nova, dona Lindu (Glória Pires) dá a luz ao seu sétimo filho: Luiz Inácio da Silva, que logo ganha o apelido de Lula. Sem ter a quem recorrer, Lindu cuida da família sozinha. Três anos depois Aristides retorna, acompanhado de Sebastiana, sua filha. Uma semana depois ele parte mais uma vez, deixando o bebê e levando consigo Jaime (Maicon Gouveia), o segundo filho mais velho. Durante a seca de 1952 a família recebe uma carta de Aristides, chamando-a para viver com ele em São Paulo. Lindu vende tudo o que tem e viaja para São Paulo, junto com os filhos. Ao chegar descobre que a carta era falsa. Quem a escreveu foi Jaime, que já não aguentava mais os maus tratos do pai. A família passa a viver em Santos, onde Aristides vivia com outra mulher e trabalhava como estivador. Vivendo em condições precárias, a família ainda precisa lidar com a crescente violência de Aristides.

Livro: A História de Lula – O Filho do Brasil

Escritora: Denise Paraná

Ano: 2009

O relato emocionante da origem do torneiro-mecânico, eleito presidente da República, e de como seu amor pela mãe fez com que ele transformasse o impossível em realidade.

Pouco depois da cerimônia do seu primeiro casamento, na hora de partir para a lua de mel, Luiz Inácio, caçula de dona Lindu, agarrou a mãe e desatou a chorar. Ia morrer de saudades. Ele se recompôs e viajou com sua mulher, mas voltou antes do planejado, de tanta falta que sentia de dona Lindu.

O episódio, relatado neste livro por Denise Paraná, dá a dimensão da ligação entre Lula, na época dando seus primeiros passos no sindicalismo, e sua mãe. Não é de se espantar, portanto, que a figura de dona Lindu –uma mulher cuja meta de vida era criar os oito filhos de maneira digna– tenha norteado a existência do homem que é hoje um dos políticos mais influentes do mundo. Foi graças ao exemplo dela que Lula conseguiu superar as inúmeras tragédias e desafios que surgiram no seu caminho.

“A História de Lula – O Filho do Brasil” revela a importância da mãe para a formação do líder e mostra como um menino tímido se transformou, nos anos 70, no principal sindicalista brasileiro.

O livro narra ainda alguns dos episódios mais dramáticos da vida de Lula, como os maus tratos sofridos na mão do pai alcoólatra, o acidente que lhe custou um dedo e a morte de sua primeira mulher e do filho que ela estava esperando.

Minissérie: Amazônia – de Galvez a Chico Mendes

Ano: 2007

Amazônia – de Galvez a Chico Mendes foi uma minissérie brasileira produzida e exibida pela Rede Globo. Foi escrita por Glória Perez com pesquisa de Bianca Freire-Medeiros, Giovanna Manfredi e Sandra Regina, trilha sonora de Alexandre de Faria, dirigida por Pedro Vasconcelos, Marcelo Travesso, Carlo Milani, Roberto Carminati e Emílio Di Biasi, com direção geral de Marcos Schechtman. Foram exibidos 55 episódios, sendo 41 na primeira fase, 10 na segunda e 4 na terceira.

download soundtrack of the novel Amazônia - De Galvez a Chico Mendes

A minissérie narra a história do Acre, a última região a ser anexada ao território brasileiro. Durante muitos anos, o estado, antes boliviano, atraiu nordestinos e estrangeiros que deixavam suas cidades em busca de uma vida melhor através da extração do látex. 

A minissérie é dividida em três fases. A primeira começa em 1899, no Acre, e mostra a vida nos seringais no período áureo da borracha, quando apenas a região era produtora do material e despertava o interesse do mundo inteiro. Nesse meio está o seringalista Firmino (José de Abreu), proprietário de um seringal próspero que atrai outros seringalistas. No entanto, o coronel monopoliza os produtos à venda no armazém e estabelece preços abusivos. Além disso, os seringueiros são obrigados a vender para o dono do seringal onde trabalham o látex que conseguem. A partir daí, tem-se a luta entre o coronel e os seringueiros, reivindicando seus direitos.

Ainda na primeira fase, mostra-se a chegada de Luiz Galvez (José Wilker) em Manaus, onde abre uma casa notura, com a ajuda de uma amiga, frequentada pelos grandes coronéis da borracha. Através do cabaré, Galvez descobre que a Bolívia está prestes a arrendar a região do Acre a um consórcio anglo-americano e decide iniciar um movimento pela conquista do Acre.

Enquanto isso, Plácido de Castro (Alexandre Borges), jovem militar gaúcho, decide tentar a sorte no norte do país, demarcando seringais na Amazônia.

A segunda parte da minissérie tem início na década de 1940. A fase retrata o período de decadência da borracha e é contada através de tramas ficcionais. Com a plantação organizada das seringueiras na Malásia, o Brasil perde a liderança na produção e vê o preço do látex cair no mercado. Nessa segunda fase, toda a riqueza decorrente do ciclo da borracha estava distribuída desigualmente, o que acentuava ainda mais a diferença entre as classes dominantes e os seringueiros.

A terceira fase da história se passa na década de 1980 e apresenta Chico Mendes (Cássio Gabus Mendes) adulto, a terceira figura emblemática na história do Acre. Preocupado com a exploração desenfreada da floresta amazônica e a precária situação dos seringueiros, Chico Mendes decide se organizar para lutar por mudanças. Além da desvalorização dos seringais, da exploração dos fazendeiros locais, que desmatavam as áreas para transformá-las em pastos de gado, a construção da Transamazônica também leva prejuízo para a região. Chico Mendes une seringueiros e índios em uma grande frente e desperta a revolta dos fazendeiros locais.

Fontes:

Livraria Folha

Americanas

Adoro Cinema

Site do PSTU

Geração Editorial

Saraiva

Imagens: 

Imagem I

Imagem II

Imagem III

Centro de Memória Chico Mendes

Para manter viva a memória de Chico Mendes, foi criado em Xapuri (AC), terra natal do líder seringueiro, o “Centro de Memória Chico Mendes”. O lugar recebe visitantes de diversos lugares do mundo e as medalhas e até a toalha que Chico usava quando morto são expostas nele.

Faixada do Centro de Memória Chico Mendes

O local guarda documentos e objetos pessoais de Chico Mendes, do qual fazem parte ainda a casa onde ele viveu e um memorial aos seringueiros, mantidos pelo Instituto Chico Mendes em parceria com o governo do estado.

Documentos pessoais de Chico Mendes

Prêmios recebidos por Chico Mendes antes e após sua morte

Casa onde viveu e foi assassinado

O centro foi um desafio de seus amigos e herdeiros em manter o legado do ativista vivo. Nele, hoje, não é só encontrado um pedaço da história de Chico, mas também do Brasil.

Fonte: http://g1.globo.com/ac/acre/noticia/2013/12/centro-preserva-memoria-de-chico-mendes-em-xapuri-ac.html

10 músicas contra a Ditadura Militar no Brasil

Numa época em que a liberdade de expressão é limitada, nada mais criativo que expressar desejos e anseios através da música. A Ditadura Militar que o Brasil viveu, entre os anos de 1964 e 1985, fez com que músicas se tornassem hinos e verdadeiros gritos de liberdade aos cidadãos oprimidos e sem possibilidade de se expressar como desejavam. Através de letras complexas e cheias de metáforas, elas traduziam tudo o que sentiam. Além disso, os festivais de MPB, promovidos pela TV Excelsior e, posteriormente, pela TV Tupi, auxiliaram na divulgação das canções, tornando-as ainda mais populares. 

Veja abaixo algumas músicas que marcaram essa época da história brasileira.

1. Caminhando (Pra não dizer que não falei das flores) – Geraldo Vandré

Pra não dizer que não falei das flores, composta em 1968, pelo paraibano Geraldo Vandré, fez com que os militares censurassem a canção por fazer clara referência contrária ao governo ditatorial. Através dela, Vandré chamava o público à revolta contra a ditadura e ainda fazia fortes provocações ao exército.

O refrão “Vem, vamos embora/ Que esperar não é saber/ Quem sabe faz a hora/ Não espera acontecer” foi considerado um verdadeiro chamado às ruas contra os ditadores. Além do refrão, a estrofe “Há soldados armados/Amados ou não/Quase todos perdidos/ De armas na mão/ Nos quartéis lhes ensinam/ Uma antiga lição/ De morrer pela pátria/ E viver sem razão” é uma das mais explícitas das produções musicais do momento. Não faz rodeios. Vai direto à crítica aos militares.

Essa música foi a sensação do Festival de Música Brasileira da TV Record. O sucesso da canção é atribuído aos mais diversos fatores: a rima de fácil assimilação; a melodia em forma de hino, o que acaba por se tornar mais uma provocação ao regime; além de retratar os desejos e anseios da geração da época. 

2. Apesar de você – Chico Buarque

Apesar de você foi lançada em 1970, durante o governo do general Médici. A letra faz uma clara referência a este ditador. Para driblar a censura, Chico Buarque afirmou que a música contava a história de uma briga de casal, cuja esposa era muito autoritária. A desculpa funcionou e o disco foi gravado, mas os oficiais do exército logo identificaram a crítica implícita à falta de liberdade e proibiram a canção de tocar nas rádios.

3. O bêbado e a equilibrista – Aldir Blanc e João Bosco

Em 1977, João Bosco fez a melodia, inspirado pela morte de Charlie Chaplin, e entregou para Aldir Blanc colocar a letra. O bêbado e a equilibrista foi gravada por Elis Regina em 1979. Essa música acabou se tornando um marco da luta contra a ditadura ao criticá-la de uma forma extremamente poética.

A poesia, aliás, começa no título. O bêbado seria a representação de todos os artistas que lutavam contra o regime. E a equilibrista é a esperança de que dias com liberdade virão. Além disso, outras referências são feitas. O verso “E nuvens/ Lá no mata-borrão do céu”, por exemplo, refere-se aos militares (nuvens, ou seja, inalcançáveis), que ficavam no DOI-CODI (mata-borrão, para corrigir erros) e que, assim como os militares, ficavam inalcançáveis (céu). 

Essa canção representava o pedido da população pela anistia ampla, geral e irrestrita, um movimento consolidado no final da década de 70. A letra fala sobre o choro de Marias e Clarisses, em alusão às esposas do operário Manuel Fiel Filho e do jornalista Vladimir Herzog, assassinados sob tortura pelo exército.

4. Eu quero é botar meu bloco na rua – Sérgio Sampaio

Durante a Ditadura, os militares andavam com tropas pelas ruas para evitar manifestações populares. Sérgio Sampaio, então, no ano de 1972, lança Eu quero é botar meu bloco na rua, onde o compositor impõe seu desejo de que as tropas sejam substituídas pelos blocos (povo). Além disso, refere-se aos militares como Durango Kid, um durão cowboy dos faroestes americanos.

5. Cálice – Chico Buarque e Gilberto Gil

A música Cálice, composta em 1973, só pôde ser lançada cinco anos depois, devido à forte censura. Ela faz alusão a oração de Jesus Cristo dirigida a Deus no Jardim do Getsêmane: “Pai, afasta de mim este cálice”. Para quem lutava pela democracia, o silêncio também era uma forma de morte. Para os ditadores, a morte era uma forma de silêncio. Daí nasceu a ideia de Chico Buarque: explorar a sonoridade e o duplo sentido de “cálice” “cale-se”, fazendo um inteligentíssimo jogo de palavras entre elas para criticar o regime instaurado.

Além disso, essa música faz claras referências ao regime da época em versos fortíssimos como “quero cheirar fumaça de óleo diesel”, onde faz alusão à prática de tortura onde o preso era submetido ao processo de inalar fumaça de óleo diesel.

6. Alegria, alegria – Caetano Veloso

A música Alegria, alegria foi lançada em 1967, por Caetano Veloso. Valorizava a ironia, a rebeldia e o anarquismo a partir de fragmentos do dia a dia. Em cada verso, revelações da opressão ao cidadão em todas as esferas sociais. A letra critica o abuso do poder e da violência, as más condições do contexto educacional e cultural estabelecido pelos militares, aos quais interessava formar brasileiros alienados.

7. Acorda amor – Chico Buarque

A música Acorda amor, gravada em 1974, conseguiu passar pelo primeiro crivo da censura. Essa é uma das músicas mais explícitas de Chico Buarque. Em um dos trechos (“era a dura/numa muito escura viatura”) faz quase uma referência direta à ditadura militar. De maneira muito clara, ela narra a história de alguém que é levado de casa pelos militares por ser um opositor ao regime.

O que é interessante de ser observado é que o eu-lírico até se confunde ao tentar pedir ajuda. Ele pede, desesperadamente, para chamar alguém. Mas quem? A polícia? Por isso, ao final, ele pede ajuda até mesmo a algum ladrão.

8. Que as crianças cantem livres – Taiguara

 

Que as crianças cantem livres é uma composição de Taiguara, lançada em 1973. Taiguara foi um dos músicos mais censurados e perseguidos durante a Ditadura Militar. Teve 68 canções censuradas e foi obrigado a se exilar, ao ser ameaçado, inúmeras vezes, de tortura.

Nessa música, Taiguara fala sobre os problemas graves do período, mas com uma esperança ao final de seus versos. Esperança de tempos livres, onde as crianças poderão cantar livremente.

9. Vence na vida quem diz sim – Chico Buarque

Vetada na íntegra pelos censores, essa música fala sobre a necessidade de se dizer “sim” à tudo no período. Se te torturassem, por exemplo, deveria responder “sim”. Desse modo, provavelmente os militares se contentariam e a tortura cessaria.

10. É proibido proibir – Caetano Veloso

É proibido proibir é uma música de Caetano Veloso, lançada em 1968. Essa canção era uma manifestação das grandes mudanças culturais que estavam ocorrendo no mundo na década de 1960. Na apresentação realizada no Teatro da Universidade Católica de São Paulo, a música de Caetano foi recebida com furiosa vaia pelo público que lotava o auditório. Indignado, Caetano fez um longo e inflamado discurso que quase não se podia ouvir, tamanho era o barulho dentro do teatro.

Fontes: http://literatortura.com/2014/03/15-melhores-musicas-contra-ditadura-militar-brasileira/

http://blogunasp.com.br/vestibular/9-musicas-para-entender-ditadura-militar/

Sugestão de Filme e de Livros

Dos presidentes que empossaram após Getúlio Vargas, os que nos chamaram mais atenção foram Jango e JK. Então, nada mais justo do que selecionar obras que falam sobre eles. Para Jango selecionamos um filme, de lançamento recente, enquanto para JK selecionamos dois livros de autores diferentes para retratar diversos pontos de vista sobre seu mandato. Aproveite!

FILME: Dossiê Jango

Gênero: Documentário

Diretor: Paulo Fontenelle

Ano: 2013

“João Goulart havia sido eleito democraticamente presidente do Brasil, mas foi expulso do cargo após o golpe de Estado de 1 de abril de 1964. Depois disso, Jango viveu exilado na Argentina, onde morreu em 1976, de causas naturais”

Será?

Vejamos. As circunstâncias de sua morte no país vizinho não foram bem explicadas até hoje. Seu corpo foi enterrado imediatamente após a sua morte, aumentando as suspeitas de assassinato premeditado. Este documentário traz o assunto de volta à tona e tenta esclarecer publicamente alguns fatos obscuros da história do Brasil.

(Baseado na resenha de AdoroCinema.com)


 

LIVRO I: Juscelino Kubitschek: o Presidente Bossa-Nova

Gênero: Biografia

Escritor: Marleine Cohen

Ano: 2005

O livro reconstitui a vida de Juscelino Kubitschek de Oliveira (1902-1976), primeiro presidente brasileiro eleito democraticamente que terminou o seu mandato na história da República.

E, mais do que isso, a obra traça o panorama político, social e cultural de uma época em que o Brasil vivia uma onda de entusiasmo com seu futuro.

(Retirada de livraria.folha.com.br)


 

LIVRO II: JK – O Artista do Impossível

Gênero: Biografia

Escritor: Claudio Bojunga

Ano: 2010

Este livro conta a história de um homem, de uma época e de um país. Um homem que ousou governar com imaginação, uma época em que os brasileiros deram as costas à derrota – e viveram o sonho intenso de serem modernos, cosmopolitas, viáveis. Este livro é uma reparação ao mais republicano dos presidentes e uma tentativa de entender por que um regime dinâmico e livre foi o verdadeiro “regime de exceção” na história do Brasil do século XX.

(Retirada de livrariasaraiva.com.br)